PMs denunciados

Por Denise Soares, G1 MT

 


Carlos Henrique Scheifer — Foto: DivulgaçãoCarlos Henrique Scheifer — Foto: Divulgação

Carlos Henrique Scheifer — Foto: Divulgação

Três policiais militares, denunciados pelo Ministério Público Estadual pela morte do tenente do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Carlos Henrique Paschiotto Scheifer, em maio de 2017, em Matupá, a 696 km de Cuiabá, viraram réus na Justiça de Mato Grosso.

Lucélio Gomes Jacinto, Joailton Lopes de Amorim e Werney Cavalcante Jovino foram denunciados por homicídio triplamente qualificado e, agora, respondem criminalmente no processo pela Décima Primeira Vara Criminal Especializada Justiça Militar de Cuiabá.

G1 tenta localizar os advogados dos réus.

A denúncia foi feita em janeiro deste ano e foi recebida pelo juiz Wladymir Perri no dia 30 do mesmo mês. Ao aceitar a denúncia, o magistrado marcou a primeira audiência de instrução do caso para o dia 3 de abril.

Carlos Henrique Scheifer, tenente do Bope, foi baleado e morreu — Foto: Polícia Militar de MT/ DivulgaçãoCarlos Henrique Scheifer, tenente do Bope, foi baleado e morreu — Foto: Polícia Militar de MT/ Divulgação

Carlos Henrique Scheifer, tenente do Bope, foi baleado e morreu — Foto: Polícia Militar de MT/ Divulgação

Em junho de 2018 o cabo recebeu uma homenagem de honra ao mérito entregue pela Polícia Militar de Mato Grosso. A viúva de Scheifer, Tássia Paschoiotto Scheifer, criticou a homenagem em postagens em redes sociais. O próprio cabo postou o certificado na internet.

Durante toda a investigação pela corregedoria, os policiais mantiveram a versão de que houve um confronto com ladrões. Porém, em julho de 2017, um exame de balística revelou que o tiro que matou Scheifer partiu da arma de outro policial.

Denúncia do Ministério Público

Na denúncia, o MPE diz que os militares cometeram o crime porque queriam evitar que a vítima adotasse medidas que pudessem responsabilizá-los por desvio de conduta em uma operação que resultou na morte de um dos suspeitos de roubo na modalidade “Novo cangaço”.

Testemunhas relataram durante inquérito policial que presenciaram o desentendimento entre a equipe e o tenente Scheifer. Em um determinado momento, os denunciados teriam se reunido às portas fechadas para conversar sobre o ocorrido.

Polícia encerrou buscas por assaltantes que mataram tenente do Bope no norte de MT — Foto: Polícia Militar de Mato GrossoPolícia encerrou buscas por assaltantes que mataram tenente do Bope no norte de MT — Foto: Polícia Militar de Mato Grosso

Polícia encerrou buscas por assaltantes que mataram tenente do Bope no norte de MT — Foto: Polícia Militar de Mato Grosso

Scheifer foi atingido com um disparo efetuado pelo próprio colega de farda na região abdominal em um local que havia sido no dia anterior palco de confronto entre policiais e suspeitos de roubo.

O caso também foi investigado pela Corregedoria da Polícia Militar, que apontou que os policiais envolvidos inventaram um confronto para encobrir a morte do tenente. Ainda em 2017, o inquérito policial militar foi encaminhado ao MPE.

O confronto

Segundo o Ministério Público, os fatos começaram com a perseguição da viatura da polícia, cuja equipe estava sob o comando da vítima, a duas caminhonetes em que estavam os suspeitos de um roubo. Na ocasião, um dos veículos sumiu durante a fuga e o outro perdeu o controle na estrada, quando quatro dos ocupantes já desceram efetuando vários disparos contras os policiais.

A tentativa de prender os assaltantes que, inicialmente, parecia ter sido frustrada, acabou obtendo êxito no dia seguinte com apoio de outros militares que atuavam em cidades próximas.

Um dos veículos foi localizado em um posto de combustível em Matupá e o motorista Agnailton Souza dos Santos foi preso.

Com base nas informações obtidas no interrogatório do acusado, a equipe liderada por Scheifer fez um cerco policial a um imóvel localizado em um bairro de Matupá, para prender outros suspeitos.

Durante a ocorrência, um deles, que supostamente portava arma de fogo, teria tentado sair do local e foi atingido por um disparo de fuzil efetuado por um dos policiais.

A morte

Durante buscas no local do primeiro confronto, o tenente Scheifer foi atingido por disparo de arma de fogo na região do abdômen.

Inicialmente, conforme o Ministério Público, os colegas de farda sustentaram que a vítima havia sido atingida por disparo efetuado por suspeito não identificado, que estaria em meio à mata, do outro lado da rodovia.

Após a realização do laudo pericial ficou comprovado que o projétil alojado no corpo do tenente partiu de um fuzil portado pelo cabo PM Lucélio Gomes Jacinto.

O promotor disse que nenhuma das versões apresentadas pelo autor dos disparo foi plausível. O MP concluiu que a vítima foi atacada de frente e o denunciado afirma que ela estava de costas e, em posição de descanso, embora o acusado assevere que o ofendido se apresentava em posição de tiro, de ataque.

Fonte de informação.   

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